quinta-feira, 29 de março de 2018

28/03/2018

Não sei bem por onde começar isto. Têm-me ocorrido frases e pequenos textos na cabeça, coisas que gostaria de escrever e depois transformar num só texto. 

Hoje não chorei. 
Começo por dizer isto porque é o primeiro dia que não me perco em lágrimas, que não choro horas e horas a fio em sofrimento e porque é um marco para mim não chorar.
Confesso que quase me vieram as lágrimas aos olhos hoje mas foi só uma vez e eu não permiti. Na verdade eu disse alto "não" e contive-me. Voltei a esta parte do texto porque quase que aconteceu de novo e voltei a dizer que não, o que faz com que tenham sido duas vezes hoje e não uma. A verdade é que a música de fundo juntamente com as memórias e com tudo o que se está a passar é fácil que as lágrimas queiram aparecer. 

Ontem à noite eu decidi drunfar-me depois de ser aconselhada a fazê-lo e depois de me aperceber que de facto era uma boa ideia. Eu consegui fazê-lo e só tive um mini medo uma única vez. Pode dizer-se que superei parcialmente o medo dos calmantes.
Como não consegui partir o comprimido ao meio e não me apetecia cortar com uma tesoura ou com o que quer que fosse, mas muito honestamente, porque me estava nas tintas para o assunto, em vez de tomar a minha dose de SOS, tomei o dobro.
A ideia era simples, cada vez que acordasse e perdesse o sono iria tomar mais um comprimido e voltar a dormir para que não sofresse acordada. 
Verdade seja dita que tive imensos pesadelos, que me fartei de acordar por várias razões e que no final da noite eu perdi o sono. A questão é que não podia tomar outro comprimido porque amanhã à tarde tenho que me levantar e sair e não posso estar em modo zombie como estive hoje o dia todo. 
Passei muitas horas a dormir mas fartei-me de acordar, como já disse. 
Acordei com pessoas a ligar-me, acordei com dores, acordei para me poder virar, acordei e comi só para poder voltar a dormir. Num dos momentos em que acordei, aproveitei e liguei à minha avó que fez hoje 82 anos.
Falando nas chamadas que recebi. É muito simples. Ligaram-me de um número fixo de Lisboa que eu supus que era do hospital, atendi ouvia barulho mas ninguém me respondia, desliguei e voltaram a ligar, isto repetiu-se mas esperei mais tempo e desliguei. Depois disso voltaram a ligar mais duas vezes horas depois e eu já não atendi. Provavelmente queriam agendar o dia da operação, não sei, com a sorte que tenho pode ser qualquer coisa, boa ou má.
Agora a parte em que eu digo que se pode dizer que superei parcialmente o medo dos calmantes. Deixa-me que te explique (pessoa imaginária). Eu tinha um pânico terrível ao meu SOS ou a qualquer calmante, para dizer a verdade mas depois de ter que tomar no hospital isso meio que passou. Eu não gosto muito porque me tira a força, eu quero fazer qualquer coisa e sinto o corpo demasiado pesado. Está na realidade relaxado mas eu não gosto da sensação. Literalmente um zombie só que dentro da minha cabeça há vida e isso de certa forma deixa-me ansiosa, o que não faz sentido porque é um calmante. Mas desta vez, para o efeito que foi eu não queria saber da sensação, virava-me só para o lado e morria para o mundo, fazia o que tinha a fazer e deitava-me, vi a minha cara refletida no espelho e deixa que te diga que não estava nada interessante, literalmente um zombie, com uma moca desgraçada, perdida.
Não paro de olhar para a mesa de cabeceira onde está agora o anel que ele me deu, juntamente com os comprimidos, o cinzeiro e mais umas quantas coisas. É de referir que isso está do meu lado esquerdo e que no meu lado direito está o lugar onde outrora ele dormia.
Infelizmente (ou felizmente, não sei), esta casa está cheia de memórias dele e ainda há cá umas quantas coisas espalhadas que lhe pertencem. 
Por exemplo, à minha frente estaria a roupa e os sapatos dele que agora estão no closet e com ele. Na cozinha está o coisito da mistura, os óculos dele e provavelmente mais qualquer coisa que não me ocorre. No armário do closet uma t-shirt, uma sweat, umas calças, as luvas e a cena de tapar a cara que eu não faço ideia como se chama. Na cómoda, meias e boxers. No chão do closet, 3 pares de ténis, a farda do curso metida num saco com a minha e o penico. Algures nas minhas malas que ainda estão no hall de entrada, tenho 2 sweats dele e mais meias e boxers. Na casa de banho a escova dos dentes. E na sala as memórias. Mas dessas eu tenho pela casa toda..


Não sei o que é que fez com que ele deixasse de gostar de mim. Questiono-me se alguma vez, sequer, me amou.


É muito dificil e complicada toda esta situação.
Estou completamente perdida em pensamentos e na vida.
Ele tinha dado um propósito à minha vida. Nós tinhamos sonhos e objetivos. Tinhamos tudo planeado e num sopro perdeu-se tudo.
Tenho pena que ele não tenha querido lutar, que ele tenha desistido de mim, da relação, do "nós". Tenho pena que ele não se tenha preocupado, que não se tenha importado e que não tenha querido saber de tudo o que eu estava a fazer, da minha luta constante todos os dias e de como eu estava a sofrer por isto.
A verdade é que o pouco interesse que ele tinha se perdeu.
Palavras leva-as o vento. A maior prova disso é que tudo o que ele disse deixou de importar quando as atitudes dele mostraram o contrário.
Afinal quem diz que ama abandona?
Onde é que foram todas as promessas?
Quem ama não desiste, luta todos os dias, põe as necessidades, desejos, etc do outro em primeiro lugar, muda se for preciso mas acima de tudo, está lá todos os dias e em qualquer situação para o demonstrar. Dá amor, carinho, atenção, faz o que é certo na hora certa e dá-te a mão a qualquer hora. 
Eu quero chorar mas eu não quero ser fraca a esse ponto, não agora. Eu sei que não tem mal chorar mas já chorei tanto e para quê?

Bem, vou fumar um cigarro e ver mais um bocado da série e talvez volte daqui a bocado.

Voltei, fiz uma pausa na parte em que a Nora está a dizer o que é que ela vê na Mary Lou. Fui buscar o guião só para o poder por aqui. Não vou traduzir porque não é com se alguém fosse ler isto para eu me dar sequer ao trabalho.

BONNIE: Can I ask you what might seem like a mean question?
NORA: Fire away. It's not like I'm in a fragile state or anything.
BONNIE: What do you see in her? Aside from the fact that she looks like a blonde Angelina Jolie?
NORA: She's loving, protective, kind...
BONNIE: But just to you.
NORA: That's fair. She does always think of me first. Maybe I'm spoiled, or old-fashioned, but it's nice having that one person who doesn't need anything from you. Who just loves you and thinks you're the most amazing, beautiful girl in the whole world, you know?

NORA: Maybe... Maybe you don't.
BONNIE: I don't need someone to tell me I'm pretty.
NORA: Nobody needs it. That doesn't mean it doesn't feel good to hear it.

´

Então, ao que parece eu deixei isto aqui para comentar depois e continuei a ver a série. Entretanto lá achei que dar luz à casa e arejar para sair este cheiro a respiração, comida e tabaco era uma boa ideia.
Comecei por subir a persiana do quarto, abrir a porta para a marquise e depois abri a janela da marquise. Quando estava a sair do quarto notei que tinha teias de aranha perto da porta do quarto. Onde há teias há aranha certo? Procurei no quarto e não vi vestigios de aranha portanto segui para a sala onde abri um pouco a persiana e só depois a porta para a varanda porque no dia em que cheguei cá tive que matar lá uma daquelas aranhas que eu não gosto nada. Quer dizer, eu envenenei-a e fechei a porta por isso ela ainda podia estar lá. Já procurei por ela e não a acho. Pode ser um dos bichos que ali estão encolhidos mas eles parecem demasiado velhos. Fiz novamente a procura e quando estava a sair reparei que também há teias na sala mas aranha nem vê-la. Portanto, ou aquela aranha que eu assassinei estava cá dentro e por sorte apanhei-a logo ali no dia em que cheguei ou ainda anda aqui uma pronta para me assustar quando eu menos esperar. Não é nada divertido.

Agora, voltando ao assunto do guião.
A Nora estava a responder ao que a Bonnie perguntou e estava a dizer como a Mary Lou era aquela pessoa bué fixe e a Bonnie disse que o era apenas com a Nora. A Nora concordou e disse que se calhar era um bocado mimada e cenas nesse aspeto porque a Mary Lou sempre a pôs em primeiro lugar. Ela também disse que é bom ter aquela pessoa que não precisa de nada de ti, a pessoa que te ama e que pensa que és a pessoa mais extraordinária e mais bonita do mundo. E no final perguntou a Bonnie "sabes?". A Bonnie só ficou a olhar e é quando a Nora diz que talvez ela não saiba. A Bonnie só disse que não precisa que alguém lhe diga que é bonita. E isto acaba com uma coisa a que dei imenso valor ao ser dita. A Nora diz e vou traduzir só porque sim: "Ninguém precisa.Não significa que não saiba bem ouvi-lo"
Com isto quero eu dizer o quê? Eu nunca precisei que mo dissessem e da boca dele sou capaz de o ter ouvido uma única vez de livre e espontânea vontade e até me lembro disso. Contudo, ele nunca foi pessoa de estar sempre a dizer isso, nunca foi como aqueles namorados babados que eu vejo pela internet e assim, nunca andou por aí a espalhar pelo mundo como eu sou isto e aquilo e nunca escreveu coisas bonitas sobre mim, nunca publicou uma fotografia minha ou uma fotografia nossa, nunca pôs nada na história sem ter sido eu a pedir ou a por. Até pode ter posto sozinho mas foi porque eu pus primeiro, no máximo. 
Não que no final de contas seja isso que importa mas tal como lhe soube bem que eu fizesse algumas coisas, também me tinha sabido bem a mim e muitas vezes pensei que o ia fazer mas não, era só eu e as minhas alucinações.
Quanto a escrever textos "queridos", ele só o fazia quando eu "queria" acabar. Basicamente fazia-o quando tinha a sensação que me ia perder. Também o fez quando foi embora, lá está, tinha medo que eu me fartasse da distância e que fosse embora da vida dele. O que é irónico sendo que foi ele que foi embora da minha.
Falando agora dos textos que me escreveu na tentativa de sabe Deus o quê. Nunca foram nada de abismal, nada de me fazer cair o queixo ou super amoroso e com as coisas que qualquer rapariga quer ouvir. No entanto, já era mais do que eu costuma obter, era mais do que mensagens banais, mais do palavras secas e para mim isso acabava por contar muito. Era melhor que nada, mesmo sendo na situação que era.
Que fique esclarecido que eu não me importava com isto lá no fundo. Da maneira distorcida dele, ele mostrava que se importava minimamente e eu nunca quis que ele fizesse esse tipo de cenas forçado, nunca quis que ele sentisse que era uma obrigação. Eu sentia a necessidade de o fazer e achava que lhe caía bem e ele, por alguma razão, não. 

Eu consegui perdê-lo não sei quantas vezes na minha vida (posso ter perdido a conta). Senti isso como abandono e vou contar todas elas como abandono. A primeira vez, 19 de Janeiro, fugiu para não lhe acontecer nada de mal. Senti-me perdida, completamente deprimida porque estava muito habituada a tê-lo comigo, tinha a minha mãe e quando ele voltou foi uma alegria tremenda e foi a única surpresa que tive dele. Ainda que super banal e nada de especial, tinha-o ali a olhar para mim, pude abraçá-lo e tudo. Isso para mim valia mais que tudo e nunca em nenhum momento fiquei a pensar que podia ter sido uma surpresa melhor. Não. Eu estava grata por o ter perto de novo. Voltei a perdê-lo dia 13 de Fevereiro, foi para França. Foi horrivel, chorei vários dias seguidos e começou a ficar melhor quando eventualmente fui lá parar. Tive uma receção normal, não esperava nada que não fosse isso. Voltei a perdê-lo quando fui obrigada a vir embora dia 13 de Março. E agora, uma última vez, fui perdendo progressivamente até o perder de vez.
Desta última vez ainda foi pior. Embora ele seja muito indiferente às coisas, não saiba demonstrar realmente o que sente e não saiba falar sobre as coisas, não estava à espera que me ignorasse simplesmente, que não se preocupasse comigo, que se fartasse de mim. Se pensar bem, até era de esperar. É de lembrar que ele era super seco, que dá vista às mensagens das pessoas como se não fosse nada e que é muito " que se foda " para tudo. Eu acho que me agarrei à expectativa de uma pessoa que eu idealizei e acreditei muito que era como eu queria que fosse, quando na realidade ele foi sempre a mesma pessoa e nunca ia ser para mim como eu queria.
Já eu, não sei como, entreguei-me completamente a este ser humano. Era capaz de qualquer coisa por ele. Tentei dar-lhe a felicidade através de vários meios. Pelos vistos sufoquei-o com a minha mania de querer tudo bem esclarecido, de não gostar de mentiras e aldrabices - ok, agora pseudo chorei um bocadinho - e com as tentativas de o tentar castigar e com medo de o perder, eu perdi-o. Para sempre.
Da minha maneira, também um bocado distorcida, eu sempre mostrei que o amava, sempre estive ali para ele mesmo estando longe ou chateada.
Não sei o que é que ele sentiu, o que ele sente, se foi e é real, se não foi e não é. Estou confusa e perdida nas minhas especulações porque não me resta mais nada.
O que é certo é que quem ama não faz isto, não ignora, despreza e faz sofrer de uma maneira tão horrível que a morte seja a solução mais viável no pensamento. Não faz uma pessoa sofrer ao ponto da solução ser deixar ir por mais que custe e chegar ao ponto de ter que dormir com comprimidos dia inteiro para não sofrer. Porque sim, depois do dia de hoje, eu vou voltar a tomar e vou continuar a dormir até eu ser precisa no mundo de novo, até a minha mãe ou alguém precisar de mim. Eu até estou prisioneira na minha própria casa, portanto ninguém dá pela minha falta. Fantástico.
Parte de mim quer ter esperança de que ele se lembre que eu existo e que precise de mim. Que me venha falar, pedir desculpa ou não, qualquer coisa. Mas que se lembre de mim. A outra parte sabe que ele vai continuar indiferente e à espera que eu vá procurá-lo. Quando ele perceber que eu não o vou procurar não sei bem qual vai ser a reação dele. Não sei se se vai revoltar porque não voltei ou se vai ter noção do que fez e voltar ele. Eu não posso mendigar amor. Por mais que eu queira ligar, mandar mensagem, pedir desculpa pelo que não fiz, pelo que não fiz sozinha e pelo que realmente fiz, eu não posso. Não me posso rebaixar, mais uma vez, a esse ponto. Eu sou melhor que isso. 
Claro que eu quero ligar e pedir para ele ficar. Mas primeiro ele não vai atender, pelo menos até eu ter ligado 20 vezes e mandado não sei quantas mensagens e depois, para quê? Ele não quer saber, ele deixou isso bem esclarecido. " Agora fartei-me ", estas foram as palavras dele. Bastante esclarecedor por acaso. 
A parte irritante da última mensagem que tenho dele é quando ele diz assim: "Mas tu tbm n fzs nd para k isso n aconteÇa, deixas so k eu desista de tudo e n keira saber mais". Para já vamos começar com o óbvio, ele escreve como um puto que está quase a passar para adolescência e ainda não percebeu que é possível e se deve falar e escrever português como ele é. Camões não gosta destas maneiras absurdas de se escrever, isto é triste e foi mais uma coisa que eu tentei mudar e claramente não sucedi, como tudo. 
Agora continuando para o que realmente importa. Ele disse que eu não fiz nada para que isto não acontecesse, que eu o deixei desistir e que não quisesse saber mais disto. Na realidade, por mais chateada que eu estivesse, fui sempre eu a ligar e a mandar mensagens todos os dias, fui eu que fui atrás de todas as maneiras possíveis quando o erro não foi meu, claramente. Isto tudo para ser sempre desprezada e quando decidia responder para ser seco, não dizer nada de jeito e me culpar. Como é que é suposto eu fazer com que uma pessoa queira saber se ela já não quer saber? Enlighten me please.
Acho que ele nunca compreendeu realmente o que se passou aqui. Ele estava tão pronto para casar, para tatuar, para ser pai e no final cagou em mim assim que pôde. Olha se isso tudo tivesse acontecido? Ele cagava para mim e só o ia ver no dia do divórcio, ao qual ele claramente seria obrigado a ir, íamos ter tinta na pele a marcar o que quer que isto tenha sido. Para mim ia marcar um amor perdido, para ele não sei. E quanto ao ser pai, não sei. Se estivesse grávida provavelmente estava nisto sozinha. Não sozinha por completo mas sem ele. Se já tivesse tido a criança, será que ele ia mesmo estar ali para o nosso primogénito? É uma boa questão sendo que ele quebrou todas as promessas, deixou-me mesmo dizendo que não o faria, deixou de me amar (se é que alguma vez amou), não esteve cá para mim, não nada nestes últimos tempos (dias, semanas, não sei). Porque é que havia de ser verdade que ia estar aqui para o filho ou filha no final? No final, tudo o que ele me disse não passou de uma mentira.
Eu juro que tento ser forte, tento ser esta pessoa que tenho que ser mas custa-me a vários níveis porque esta não sou eu, eu não sou, de todo, assim. 
Tenho medo que ele volte quando eu já não quiser saber dele, tenho medo que ele volte e eu não resista, medo que não seja nada igual mas acho que mais medo de ele não vir de todo. Porque é verdade, há sempre essa opção. Ele já disse que está farto. Praticamente disse que desistiu por completo. Não o disse mas está subentendido e as atitudes todas dele mostram que realmente já está tudo perdido. Ele desistiu, não quer saber, não se preocupa, está farto e acabou.

Não percebo. Nós lutámos tanto pela nossa relação, nós fomos contra tudo e todos juntos. Isto tudo aconteceu, no fundo, por culpa nossa. Está bem que podíamos ter sido muito facilitados mas nós também podíamos ter agido com pés e cabeça. 
Mas bem, com isto estou a querer dizer que ultrapassamos coisas complicadas e no fim estivemos sempre juntos, desta vez o que é que quebrou? Porque é que não estamos a lutar juntos?



Se já me ocorreu fazer uma série de coisas para ganhar a atenção dele? Já, mas não vale de nada se eu não tiver o que quero puro e verdadeiro. O objetivo não é ganhar atenção dessa maneira, ele tem que voltar porque ele quer. Simples. - O problema é que ele não tenciona voltar.
Isto dá muito que pensar. O que é que faz uma pessoa mudar assim? Chegamos ao ponto em que começamos a pensar em milhões de opções. Se ele não me dá atenção é porque já tem alguém a quem a dar. Porque é que quando acabámos a primeira preocupação dele foi mudar a palavra-passe da única conta a que eu podia aceder? Eu não mudei nada até ele mudar. Por mais que eu tenha noção que eu não tenho nada que ter acesso à conta dele, não deixa de me fazer pensar. Para me chatear? Porque quer ter as suas conversas? Porque tem ou não alguma coisa a esconder?
Um dia podíamos vir a falar e se isso viesse à baila eu já não sei se acreditava quando ele dissesse que não tinha nada a esconder e que me mostrava ou se eu simplesmente já não acreditaria. Porque nesta altura, a minha cabeça já pensou de tudo.
Eu não fui logo a correr mudar as palavras-passe porque no fundo eu ainda me considerava dele e não tinha mal nenhum ele ter acesso, eu ainda achava que isto ia tudo voltar ao normal e não fazia mal.
Quando eu vi aquilo pensei logo que ele tinha mudado mas depois, por um momento, achei que tinha sido outra vez o bug e tentei entrar de novo. Aí é que eu percebi que ele tinha mesmo apagado e não faz mal, a vida é dele. Mas é para se notar aqui a diferença. Porque é que essa foi a primeira e única preocupação dele?


Já me dói o braço de tanto teclar de seguida


A possibilidade de o poder ver na rua. Esta é uma realidade que eu só vou saber como vai ser quando acontecer. Realmente não sei qual vai ser a minha e a reação dele. Se for a avaliar pelos eventos do passado ele vai só ignorar a minha existência. Mas lá está, parte de mim acha que pode ser diferente. Já eu não sei se vou reagir, se vou fingir que não existe, se vou mostrar que estou feliz ou se vou mostrar como estou miserável. - está-me a doer mesmo muito o braço, que frustrante - Não sei mesmo. Só sei que a probabilidade de o encontrar por aí é média e alta se eu decidir ter alguma vida social. Isto é demasiado pequeno e posso achá-lo em qualquer lugar. Pelo menos enquanto eu estiver aqui e realmente não sei quanto mais tempo é que isso vai ser. Sim, porque a minha mãe não me quer aqui sozinha, eu estou perdida e não sei para onde me virar. Portanto pode não ser muito tempo.
E não sei a sensação que vai deixar em mim, se me vai querer fazer voltar para trás, se me vai apetecer bater-lhe, se me vai deixar ainda mais triste, se vou sentir sequer alguma coisa.
Agora que voltei atrás para escrever esta última frase lembrei-me que ele não é um gajo cheio de atitude. Volto a falar disto lá em breves momentos.

Outra coisa que me está a dar que pensar é onde é que ele se vai instalar e viver. Por mais que estivesse revoltado com a mãe provavelmente isso já lhe passou e vai escolher a casa dela porque é a que tem as melhores condições, provavelmente ela volta a dar-lhe a mota e o cartão e são todos muito felizes. Se ele realmente mantiver o que disse é gajo para ir para casa do pai ou da avó, quem sabe. 
O plano foi sempre vir para aqui, pelo menos que eu saiba, se calhar não foi, eu sei lá. Mas pronto, nunca se falou noutra opção por isso não sei.
Agora eu já não sou um problema para a mãe dele por isso ela vai parar de ser atrasada para ele.

No meio das hipóteses que eu disse que me ocorreram, já me questionei se lhe fizeram uma lavagem cerebral, se alguém teve influencia nisto ou qualquer coisa do género porque realmente isto não me faz sentido nenhum. Sim, a falar nisto mais uma vez. Já disse, já me ocorreu muita coisa e isto é algo em que penso muito porque como disse, não faz sentido nenhum mesmo.

Cantámos tantas músicas basicamente a dizer que era para um de nós e agora resta-me ouvir essas músicas sozinha e lembrar-me de todos esses momentos. Sim, têm estado a passar músicas no fundo enquanto eu escrevo, penso, leio, re-leio, corrijo e acrescento coisas ao que já escrevi. Já cantei algumas enquanto escrevia, enquanto pensava, já me lembrei de certos momentos, revivi memórias e já ouvi músicas que me fizeram lembrar dele quando andava sozinha por aí. No entanto há uma música que eu ainda não pus e que ainda não apareceu na reprodução automática. A Música da Carolina. Não sei bem como é que irei reagir, essa música é muito bonita e gosto muito de a cantar mas é realmente marcante e neste momento não sei se a reação ia ser muito positiva. Mas se a música passar eu volto aqui e digo.


Aqui estão os breves momentos. O que eu quis dizer com o " ele não é um gajo cheio de atitude " foi que ele nunca foi de tomar iniciativa, nunca sabe bem o que fazer em qualquer situação, é inocente de certa forma. O pior é que nem aprendia, isto é engraçado de se relembrar realmente, porque até era fofo de certa forma.
Acho que atitude nem é bem a palavra que procuro, não sei. Mas já vamos na segunda palavra portanto.
Por exemplo, nós nunca nos cumprimentávamos com dois beijos, isso só aconteceu uma vez não sei como nem porquê (o que me leva a questionar o primeiro beijo). Gajos cheios (not so much, putos) de atitude, que papam muitas (ou tentam) e assim, dão sempre dois beijos até ao dia em que se esticam e pronto. E isso nem é bem atitude porque acabam por ser uns putos. Mas pessoas mais adultas, já têm muita escola e já sabem direcionar as coisas para o que querem. Fazem o que têm a fazer para chegar onde querem chegar. Meios para atingir os fins. Não são inocentes, fazem com que tu sejas inocente e sintas segura porque a pessoa lá sabe o que está a fazer. Gajos que muitas vezes são um lixo e põem as necessidades deles à frente das do parceiro mas se forem gajos como deve ser não põem o que é ótimo. 
Eu não consigo bem explicar onde é que eu quero chegar principalmente porque estou a escrever algo que é confuso já dizendo oralmente, quanto mais escrito.
Sabes quando te cai uma lágrima e o parceiro está logo lá a limpar essa lágrima? Atitude. Quando te abraça quando choras? Atitude. 
Não consigo explicar mas consegue fazer exatamente o que necessitas na altura certa e na parte mais sexual, amorosa e assim, sabe começar algo, inovar, como fazer. Não para no tempo, corta clima e bloqueia. Está sempre desinibido e pronto. Faz cenas acertadas e como deve ser.
Mas lá está, a inocência dele até tinha piada. Não numa maneira de gozo mas numa maneira querida. Provavelmente não teve muita experiência mas se calhar em eventos futuros vai-se lembrar do que aprendeu e começar por aí e da maneira certa. Não vai ser bruto a beijar, vai saber quando beijar, saber quando avançar, saber quando pedir em namoro se isso for o que quer, saber quando pedir em casamento, saber fazer as cenas no ato sexual, etc. Acho que já deu para perceber a ideia.
Mas estava eu a dizer, tinha piada. Tinha piada porque ele er meio trapalhão, porque era meio turista num mundo diferente mas à sua maneira lá ia andando e fazendo acontecer. Muitas coisas obrigado e forçado o que pode ter sido um dos muitos males. Mas pronto, algumas coisas fez, outras não. O que interessa é que aprendeu qualquer coisa, divertiu-se e no final está como está. Bem ou mal, não sei bem dizer.




Cada vez que o telemóvel vibra lá vou eu toda esperançosa mas nunca é nada. Quer dizer, às vezes já nem vou ao telemóvel, cálculo que seja mais um e-mail ou uma das notificações chatas. Por vezes são os jogos, notificações que interessa e alguém preocupado e interessado o suficiente para falar comigo.
Custa que não seja nenhuma mensagem que eu queira ler, custa mais saber que provavelmente essa mensagem nunca vai chegar. Nem mensagem, nem chamada. Será que não sente necessidade de falar comigo, de saber de mim, da minha vida, necessidade de me ouvir? Porque eu adorava ouvi-lo, saber como está, como está a vida dele, falar com ele simplesmente.

Não me vale de muito ele ter-se lamentado e ter dito que se ia matando porque se sentiu mal. Ele não se sentiu mal por nada em especifico, sentiu-se mal porque sentiu. Também pode não ter comido mas nada do que aconteceu foi culpa minha. E se o desejo dele era tanto morrer, não percebo o espanto e admiração. Porque é que ele vem sequer ver se me faz ter remorsos com estas situações? Eu não me andei a lamentar como não como, como penso em maneiras de morrer, como vim a conduzir pela serra fora a pensar que se caísse podia não ser tão mau, que lá no alto a meio da viagem comi pela primeira vez em muitas horas, o que não serve nem para pequeno almoço, a conduzir com uma só mão por caminhos esquisitos, a ver o abismo com um carro que foge, que me ando a drunfar toda, que penso em me embebedar mas que acho que por cima do drunfo era gajo para correr mal e que estou aqui sozinha e iam dar comigo daqui a muito tempo e que portanto o mais certo era já não ter vida. Não, eu não me lamento, guardo para mim qualquer pensamento ou coisa estúpida que faça ou me aconteça. Ele não tem culpa sequer. Eu é que não estou a saber reagir bem ao que me fez passar. A verdade é que ele não me obrigou a nada disto. Isto é tudo obra minha.


Esta merda por aqui já é só moscas, o que pode vir a ser um problema. Acabei de escrever a frase e apareceu uma varejeira, fantástico! Eventualmente vou fechar isto ou vou simplesmente dormir ou qualquer coisa e dispenso bem esta quantidade de moscas que vem ali da merda do vizinho do primeiro andar, obrigada.
Agora vou voltar a ver a série, se bem que já não me apetece muito. Já só quero ver o final e isto já não tem o mesmo entusiasmo. Também é normal que me farte sendo que vejo horas e horas disto por dia mas ninguém precisa de saber. 

Voltei. São exatamente 15h52 e eu decidi fazer a pausa para o xixi outra vez. Deparei-me com sangue de novo o que não me está a fazer muito sentido mas vou assumir que está tudo bem, tudo normal, não há razão para esperança nem nada do tipo, como sempre. Não lhe vou dizer nada, claramente. Mais importante que tudo é eu manter a distância e deixá-lo respirar como ele quer e precisa. 


Cada vez custa mais, estamos no segundo dia sem comunicar e eu estou-me a roer toda por dentro. Quero ligar-lhe e dizer que tenho saudades, que não aguento mais isto. Estou a morrer de dentro para fora e isto está longe de ficar bonito. 
Tenho aquela sensação de frio na barriga seguida das palpitações e sensação de ansiedade com mais frequência à medida que o tempo passa. 
Preciso de ajuda, a sério.

Sinto o peito a apertar e custa-me a respirar. Quero acreditar que é tudo psicológico e vai ficar tudo bem. Será que é por não chorar? Já não sei nada.

Então parece que foi agora. Já estou a chorar outra vez. Só consigo pensar que ele se fartou de mim, que ele não quer saber de mim. Dói muito.

Acabei de olhar para a carteira que tenho no quarto. Abri porque sabia que havia qualquer coisa que tinha para lhe mostrar só não me lembrava o quê. Vi o vale para 1 desperados e fez-se luz. Não lhe posso simplesmente mandar uma fotografia portanto vim partilhar aqui, o sítio que está a equivaler a um amigo que me está a ouvir.


Decidiu mandar mensagem hoje não percebi para quê. Aparentemente houve uma falha qualquer e não recebeu nenhuma das minhas não sei quantas mensagens e nem referi a chamada que ele não atendeu porque nem vale a pena. Está-me a tirar a pinta e eu a ver. Mesmo que não tivesse recebido as mensagens, durante dois dias não soube de mim e não me mandou nenhuma mensagem nem ligou. Mas isto tem algum cabimento? Não, comigo não.

Neste momento não sei se já não acredito mais no que a familia me disse e em todas as pessoas que me avisaram. Já estou a acreditar mais em todas as desconfianças do que alguma vez tive.

 Estou tipo a dar o maior rant a mandar audios à Inês pq já estou num ponto mm agressivo

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